A REPRESENTAÇÃO DAS POMBA GIRAS E DOS CABOCLOS EM LINHAS NEGRAS, DE GRAÇA SENNA
Graça Senna/Linhas negras. Literatura amapaense. Poesia de autoras negras. Religiões afro-brasileiras.
Este trabalho tem como objetivo analisar a representação literária das entidades Caboclos (da Linha da Direita) e Pomba Giras (da Linha da Esquerda) na obra Linhas Negras (2025) da poeta amapaense Graça Senna, destacando a interseção entre a literatura e a religiosidade afro-brasileira como um ato de escrevivência e afirmação identitária. Para o estudo, recorreu-se inicialmente ao método hermenêutico, fundamentado no princípio da Fusão de horizontes (Gadamer, 1960), articulado com os conceitos de Função-autor (Foucault, 2006) e Escrevivência” (Evaristo, 2005; 2009). Após a leitura da obra, foram selecionados os poemas “Rompe Mato” e “Encantaria” (que representam a entidade Caboclo Ogum Rompe Mato) e os poemas “Corpo” e “Gargalhada” (que tematizam a entidade Pomba Gira Maria Mulambo). Para as análises, nos aportamos em teorias de autores Bernd (1987); Munanga (2019); Prandi (1991, 2025); Simas (2024); Ortiz (1978), entre outros. Como resultado, espera-se que esta pesquisa contribua para ampliar a recepção crítica da obra de Graça Senna, inserindo-a de forma mais consistente no debate acadêmico sobre literatura negra brasileira e nortista, e para a valorização cultural das religiões de matriz africana, em especial da Umbanda, por meio do estudo literário.