PERSPECTIVISMO INDÍGENA DO POVO GALIBI-MARWORNO SOBRE A MORTE EM NARRATIVAS CONTADAS NA ALDEIA KUMARUMÃ/AP
Narrativa, Oralidade, Memória, Identidade, Galibi Marworno.
A presente dissertação de mestrado versa sobre perspectivismo indígena do povo GalibiMarworno sobre a morte em narrativas contadas na aldeia Kumarumã/AP e tem como principal finalidade, fortalecer a pesquisa sobre a identidade cultural do povo Galibi-Marworno da aldeia Kumarumã, Terra Indígena Uaçá, que se localiza no município de Oiapoque, Estado do Amapá. O objeto da pesquisa se desenvolve através das narrativas contadas exclusivamente nos velórios desse povo. Para tanto, inicialmente se faz uma abordagem histórica do povo Galibi-Marworno, sua origem, língua, modo de viver e localização. Em seguida, contextualizam-se as narrativas que foram coletadas na aldeia no segundo semestre de 2022. Nesse sentido, buscou-se identificar o período em que as narrativas se tornaram mais efetivas na aldeia, ou seja, no momento em que elas foram evidenciadas a partir da memória na cultura do povo GalibiMarworno. Nota-se, dessa forma, que é durante o velório que o tema da morte se torna elemento fundamental presente nas narrativas que são contadas de forma intensa e somente nesse contexto. Para propor um recorte na coleta identificamos narradores, indígenas da etnia e que moram na aldeia e no contexto urbano, e são detentores desses saberes. Após a coleta, fez-se a transcrição das seguintes narrativas: “Um homem que tinha muitos cachorros” narrativa que evidencia a relação natureza e cultura; “ O homem e a mulher que apareceu” que ressalta a crença e a existência na espiritualidade e o sobrenatural, “ A história de Maria e João” que relaciona seres humanos e aspectos de zoomorfismo e, por fim, a narrativa sobre a “Brincadeira do Gavião e mamãe galinha” que trata das categorias de identidade, individuais e coletivas, e identifica a essência e a relação com a cultura Galibi-Marworno. Desse modo, investigou-se as circunstâncias do “período de decadência”, quer dizer, a ruptura cultural na relação com a morte, por meio do declínio deste costume, pois, certas narrativas contadas com exclusividade nos momentos de velório, já não são mais vistas como importantes pelosindígenas que integram este ato, assim como para grande parte da população da aldeia. Objetivamos, ainda identificar, quais os acontecimentos que contribuíram para tal fato, na perspectiva de salvaguardar o direito às gerações futuras, em especial, a do povo Galibi-Marworno, de conhecer e vivenciar esses momentos sagrados. Para tanto, estudamos na Teoria Literária textos sobre a memória de Michael Pollak (1992) e Paul Ricoeur (1994), no que se refere a narrativa Genette (1979) e Walter Ong (1998) e sobre o perspectivismo indígena Viveiros de Castro (2002).