EDUCAÇÃO DO CAMPO NA AMAZÔNIA AMAPAENSE E SUAS TERRITORIALIDADES: SABERES ANCESTRAIS COMO RESISTÊNCIA Á RACIONALIDADE NEOLIBERAL
Educação do Campo. Territorialidades Amazônicas. Saberes Ancestrais. Pedagogia da Alternância. Racionalidade Neoliberal
Esta dissertação analisa de que maneira a Educação do Campo, no contexto da Amazônia amapaense, constitui-se como espaço de resistência à racionalidade neoliberal por meio da valorização dos saberes ancestrais, das territorialidades e das práticas comunitárias desenvolvidas pelos povos da floresta. O estudo parte da compreensão de que o avanço das políticas neoliberais sobre a educação e os territórios amazônicos tem produzido processos de padronização curricular, individualização social e fragilização das formas coletivas de organização comunitária. Nesse contexto, a pesquisa buscou responder à seguinte problemática: como as práticas pedagógicas e territoriais desenvolvidas na Escola Família Agroextrativista do Carvão (EFAC), fundamentadas na Pedagogia da Alternância, promovem formas de resistência à racionalidade neoliberal? O objetivo geral consistiu em analisar de que maneira as práticas pedagógicas e territoriais desenvolvidas na EFAC constituem-se como estratégias de resistência e fortalecimento das territorialidades tradicionais frente às imposições neoliberais na Amazônia amapaense. O referencial teórico fundamentou-se, principalmente, nas contribuições de Michel Foucault, Dardot e Laval, Carlos Walter Porto-Gonçalves, Bruno Malheiro, Roseli Caldart, Miguel Arroyo e Paulo Freire, articulando discussões sobre governamentalidade neoliberal, territorialidade, Educação do Campo e saberes ancestrais. Metodologicamente, a pesquisa caracterizase como qualitativa, de caráter exploratório, fundamentada na Dialética, tendo como campo empírico a Escola Família Agroextrativista do Carvão (EFAC), localizada no distrito do Carvão, município de Mazagão/AP. Os procedimentos metodológicos envolveram pesquisa bibliográfica, análise documental, observação participante e entrevistas semiestruturadas realizadas com professores da instituição. Os resultados evidenciaram que a Pedagogia da Alternância fortalece os vínculos entre escola, território e comunidade, permitindo que os saberes tradicionais relacionados ao extrativismo, ao manejo do açaí, à oralidade e às práticas comunitárias sejam incorporados aos processos educativos. Destacou-se, ainda, que os espaços da floresta funcionam como laboratórios vivos de aprendizagem, contrapondo-se à lógica curricular padronizada da racionalidade neoliberal. Conclui-se que a Educação do Campo, desenvolvida na EFAC, constitui importante estratégia de resistência política, territorial e cultural, contribuindo para a valorização das identidades amazônicas, para a preservação dos saberes ancestrais e para o fortalecimento das formas coletivas de existência social na Amazônia amapaense.