SABERES DA NATUREZA NA EDUCAÇÃO ESCOLAR QUILOMBOLA: caminhos pedagógicos de integração entre escola e território no Curiaú-Macapá/AP
Educação Escolar Quilombola. Saberes da natureza. Território. Currículo decolonial. Reexistência.
Esta dissertação analisa como os saberes da natureza presentes na comunidade quilombola do Curiaú, localizada na zona rural de Macapá/AP, podem ser incorporados ao currículo da Educação Escolar Quilombola como práticas contra-hegemônicas e decoloniais. A pesquisa parte da constatação de que, apesar das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola (Brasil, 2012), muitas escolas ainda reproduzem currículos monoculturais e eurocêntricos, o que resulta na invisibilização de saberes ancestrais ligados ao território, à memória e à sustentabilidade da vida. Os saberes da natureza como o uso de plantas medicinais, o manejo das águas, os ciclos agrícolas e os rituais comunitários configuram formas de resistência e reexistência, conforme discutem Bispo (2015) e Nascimento (2006), mas encontram difícil reconhecimento no espaço escolar devido à persistência da colonialidade do saber. A pesquisa adota abordagem qualitativa, com inspiração etnográfica, envolvendo entrevistas, grupos focais, observação participante e análise documental, com a participação de professores, estudantes, gestores e lideranças comunitárias. A análise, fundamentada na pedagogia crítico-decolonial (Freire, 2021; Walsh, 2009) e na ecologia de saberes (Santos, 2006), busca identificar possibilidades de diálogo entre os saberes tradicionais e os conteúdos escolares, discutindo caminhos pedagógicos contextualizados que fortaleçam identidade, territorialidade e justiça social, ambiental e epistemológica. Os resultados parciais apontam a necessidade de uma pedagogia territorializada que reconheça o Curiaú como espaço educativo e valorize os saberes ancestrais como fundamentos do currículo quilombola.