EDUCADORES PARA ALÉM DO URBANO: CONDIÇÕES DE TRABALHO DOCENTE NA EDUCAÇÃO BÁSICA RURAL DE MAZAGÃO-AP
Trabalho docente; Educação do Campo; Neoliberalismo; Precarização; Políticas educacionais; Mazagão.
Esta pesquisa analisa as condições de trabalho docente nas escolas rurais do município de Mazagão, no estado do Amapá, considerando as determinações estruturais do neoliberalismo e seus impactos sobre a educação pública. Parte-se da compreensão de que a educação rural, historicamente marcada pela precarização e pela subordinação às demandas do capital ainda se distancia do paradigma da Educação do Campo enquanto projeto político-pedagógico contrahegemônico vinculado às lutas dos povos camponeses. O objetivo geral consiste em compreender como se configuram as condições materiais, institucionais e pedagógicas do trabalho docente nas escolas investigadas, problematizando as contradições entre o marco legal que assegura o direito à educação do campo e a realidade concreta vivenciada pelos professores. A pesquisa adota abordagem qualitativa, fundamentada no materialismo históricodialético, articulando análise documental, observação das unidades escolares e entrevistas semiestruturadas com docentes da rede municipal. A fundamentação teórica dialoga com autores críticos da educação, do trabalho e do Estado, como Karl Marx, Saviani, Arroyo, Caldart, Frigotto, Antunes, Harvey e Laval, buscando apreender o fenômeno em sua totalidade histórica e social. Os resultados evidenciam precariedade estrutural, fragilidade de vínculos empregatícios, insuficiência de políticas de formação específica e incidência de modelos gerencialistas que desconsideram as particularidades territoriais. Conclui-se que o trabalho docente constitui espaço de intensas contradições, marcado simultaneamente por precarização e resistência, exigindo políticas públicas estruturantes que garantam valorização profissional, justiça territorial e consolidação de um projeto emancipador de Educação do Campo.