Banca de DEFESA: SÂMIA KAMYLA FREITAS SILVA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : SÂMIA KAMYLA FREITAS SILVA
DATA : 29/01/2026
HORA: 14:30
LOCAL: Bloco K, Sala 01
TÍTULO:

EDUCAÇÃO INTERCULTURAL COMO PRÁTICA DE RESISTÊNCIA: UM ESTUDO DE CASO SOBRE AS VIVÊNCIAS E EXPERIÊNCIAS NO CONTEXTO ESCOLAR QUILOMBOLA NO MUNICÍPIO DE PORTEL/PA



PALAVRAS-CHAVES:

Educação intercultural; resistência; Educação Escolar Quilombola; contexto escolar



PÁGINAS: 168
RESUMO:

A Educação Escolar Quilombola é uma modalidade educacional conquistada por meio de intensas lutas e movimentos sociais, contudo a educação também é um espaço de tensão e conflito, e é nesse contexto que surgem os movimentos de resistência, parte de um processo histórico de lutas da população quilombola,  que colocam suas demandas para o poder público, no sentido de contemplar seus direitos por muito tempo negados, pois a escola também é um espaço de resistência. Diante disso essa dissertação tem como tema: Educação intercultural como prática de resistência: um estudo de caso sobre as vivências e experiências no contexto escolar quilombola no município de Portel/PA. Buscando responder à seguinte questão: como os exercícios de resistência interculturais são experienciados na educação por meio do contexto escolar de uma escola quilombola no município de Portel/PA? Objetivo geral: Analisar os exercícios de resistência interculturais vivenciados no contexto escolar quilombola, a partir da realidade de uma escola em Portel/PA. Objetivos específicos: Contextualizar o processo histórico educacional da educação quilombola no Brasil; discutir interculturalidade, a relação com a educação e seus desdobramentos na educação quilombola da Amazônia; investigar no contexto escolar evidências e experiências que revelam exercícios de resistências interculturais. Tendo como Lócus de investigação a escola Deus Está Comigo, localizada na comunidade remanescente São Tomé de Tauçú, município de Portel/PA. Fundamentada na perspectiva da interculturalidade crítica (Walsh, 2005, 2009; Candau, 2013) e nas teorias sobre práticas de resistência educacional (Heckert, 2004; Freire, 1987; Hooks, 2017), a pesquisa investiga como se manifestam  exercícios de resistência que valorizam saberes ancestrais, afirmam identidades quilombolas e confrontam estruturas coloniais de poder no cotidiano educativo. Metodologicamente, adota abordagem qualitativa por meio de estudo de caso (Yin, 2001; André, 2013), com observação participante realizada durante cinco meses (agosto a dezembro de 2025), conversas informais com professoras, lideranças quilombolas, agricultores familiares e estudantes, além de análise documental de legislações, projetos pedagógicos e resoluções municipais. O paradigma indiciário de Ginzburg (1989) orienta o olhar investigativo para práticas sutis e aparentemente secundárias que revelam dinâmicas mais amplas de resistência e colonialidade. Os exercícios de resistência intercultural identificados manifestam-se em múltiplas dimensões do cotidiano escolar comunitário; nas práticas pedagógicas de professoras; na organização do evento do Dia da Consciência Negra, que mobiliza toda a comunidade e articula escola, ARQUICOSTT e saberes locais; na presença de valores civilizatórios afro-brasileiros — circularidade, musicalidade, comunitarismo, oralidade que atravessam as rotinas escolares, revelando-se em cantigas em roda, compartilhamento de alimentos e organização espacial das atividades; nas parcerias para efetivação do PNAE quilombola e nos projetos de geração de renda que buscam conectar educação, território e autonomia comunitária. Essa resistência se desdobra imediatamente em cobrança frente à educação para a valorização de sua identidade e ancestralidade. As lideranças não se contentam com o reconhecimento formal, querem que a escola efetive essa identidade quilombola. Cobram dos professores que incorporem saberes ancestrais e cultura quilombola em suas práticas.  Reivindicam infraestrutura digna, merenda, com produtos da comunidade, formação específica para os docentes. Os achados desta pesquisa apontam, assim, para a urgência de que a escola assuma explicitamente seu papel na formação de sujeitos políticos quilombolas. Não basta trabalhar a negritude genericamente; é preciso territorializar a identidade, conectando-a aos saberes, memórias e lutas específicas da comunidade.


MEMBROS DA BANCA:
Interna - 2356177 - ELIANA DO SOCORRO DE BRITO PAIXAO
Externo à Instituição - ELIVALDO SERRÃO CUSTÓDIO - UEAP
Presidente - 1173630 - EUGENIA DA LUZ SILVA FOSTER
Notícia cadastrada em: 13/01/2026 14:17
SIGAA | Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI-UNIFAP) - (096)3312-1733 | Copyright © 2006-2026 - UFRN - sigaa02.server04