PIRATAS NOS TRILHOS: A BATUCADA QUE VEM DO TREM (1987-2012)
Carnaval amapaense; Piratas da Batucada; Memória; Identidade.
A presente pesquisa analisa o Carnaval amapaense a partir da escola de samba Piratas da Batucada, com foco na relação entre território, memória, identidade e representações culturais no bairro do Trem, em Macapá, no período de 1987 a 2012. O estudo parte da compreensão do carnaval como manifestação cultural popular e espaço privilegiado de construção simbólica, sociabilidade e afirmação identitária. Metodologicamente, adota-se uma abordagem bibliográfica e documental, utilizando como fontes principais letras de samba-enredo, documentos institucionais, registros jornalísticos e produção historiográfica sobre carnaval, cultura popular e identidade. A pesquisa dialoga com aportes teóricos como Roger Chartier, Stuart Hall e Joël Candau, que permitem compreender os sambas-enredo como narrativas culturais capazes de articular memória coletiva, pertencimento territorial e processos de construção identitária. Demonstra-se que a Piratas da Batucada, por meio de seus enredos e desfiles, elabora representações simbólicas do bairro do Trem, valorizando sua história, religiosidade, sociabilidades e experiências da classe trabalhadora, ao mesmo tempo que ressignifica tradições no contexto contemporâneo do carnaval. Conclui-se que os sambasenredo funcionam como dispositivos de preservação da memória social e de fortalecimento da identidade comunitária, operando como instrumentos de resistência cultural e afirmação simbólica no carnaval amapaense. Assim, o estudo contribui para a ampliação da historiografia sobre festas populares na Amazônia e para a valorização do carnaval do Amapá como expressão cultural complexa, dinâmica e socialmente significativa.