PROJETO TURÉ (2014-2018): política de formação inicial de professores/as indígenas no Amapá
Educação Escolar Indígena. Formação de Professores/as Indígenas. Políticas Públicas. Interculturalidade. Projeto Turé.
A educação escolar indígena no Brasil tem como desafio consolidar-se como prática bilíngue, intercultural e comunitária, respeitando saberes e identidades dos povos originários. Nesse contexto, o problema de pesquisa investigado foi entender de que maneira o Projeto Turé, enquanto política pública de formação inicial de professores/as indígenas no Amapá, contribuiu para a consolidação de uma educação escolar indígena bilíngue, intercultural e comunitária? O objetivo geral consistiu em analisar essa contribuição, enquanto os objetivos específicos foram: (a) analisar como os princípios da educação escolar indígena foram incorporados ao currículo do Projeto Turé – subprograma Oiapoque; (b) investigar as percepções de professores/as indígenas sobre as contribuições e desafios da formação para suas práticas pedagógicas; e, (c) verificar os efeitos da formação do Projeto Turé nas práticas docentes e na efetivação da educação escolar indígena bilíngue, intercultural e comunitária. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, fundamentada no materialismo histórico-dialético, desenvolvendo análise documental e entrevistas narrativas com oito professores/as indígenas das etnias karipuna e galibi marworno, tratadas pela técnica da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que o projeto fortaleceu a identidade docente, promoveu maior autonomia em sala de aula e ampliou o uso pedagógico do bilinguismo, possibilitando a integração entre saberes tradicionais e conhecimentos escolares. Contudo, persistiram limitações estruturais, como a ausência de materiais didáticos em línguas indígenas, insuficiente acompanhamento pedagógico, dificuldades logísticas e a descontinuidade da política. Conclui-se que o Projeto Turé constituiu um marco para a formação docente indígena no Amapá, contudo, sua consolidação requer institucionalização, financiamento estável, produção de materiais específicos e co-gestão comunitária das ações educativas.