A PRESENÇA INDÍGENA NOS TELEJORNAIS DO AMAPÁ: JAP1 E JAP2
Telejornalismo. Amapá. Povos Indígenas. Jornal do Amapá. Interdisciplinaridade.
Partindo da compreensão de que o telejornalismo é um potente mediador simbólico na construção de imaginários sociais, essa dissertação busca compreender de que modo as pautas indígenas no Amapá contribuem para reforçar ou tensionar estruturas coloniais de representação. A investigação toma como objeto empírico as coberturas sobre a praga da mandioca exibidas em dois telejornais: o Jornal do Amapá (1a Edição) e o Jornal do Amapá (2a Edição), ambos veiculados pela Rede Amazônica, afiliada da Rede Globo, por reconhecer seu papel histórico na produção de sentidos e na formação da opinião pública no Estado. Fundamentada em aportes teóricos da comunicação decolonial de Jesús Martín-Barbero (1997, 2024) e nas contribuições de Pierre Bourdieu (1989, 1996) acerca do poder simbólico, a pesquisa discute como a mídia institucionaliza determinados modos de ver e narrar os povos indígenas, naturalizando assimetrias e hierarquias discursivas. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa e interdisciplinar, combinando a Análise da Materialidade Audiovisual (Coutinho, 2013) das reportagens selecionadas e a aplicação de Grupo Focal. Ao problematizar a invisibilidade histórica e a escassez de abordagens éticas e plurais sobre os povos indígenas no jornalismo regional, esta pesquisa pretende contribuir para o
fortalecimento de uma comunicação comprometida com a diversidade, com a escuta intercultural e com a descolonização das práticas narrativas no campo midiático amazônico.