JARILÂNDIA: UM LUGAR REVELADO E TECIDO PELA MEMÓRIA
Lugar. Memória. Narrativa. Jarilândia. Vale do Jari.
Desvelar o lugar a partir de quem o habita permite refletir sobre a diversidade das comunidades ribeirinhas da Amazônia, considerando as particularidades históricas e os contextos socioculturais dos sujeitos. No caso de Jarilândia (AP), sua formação carrega marcas de um período hoje dificilmente perceptível apenas pela paisagem física: o auge das atividades econômicas da Companhia Jari entre as décadas de 1940 e 1980. Diante disso, esta pesquisa investiga a relação entre o ser humano e o lugar, utilizando a memória dos moradores como via de acesso, expressa por meio de narrativas. O corpus da pesquisa é composto por quatro moradores de três gerações distintas da Vila de Jarilândia, em Vitória do Jari (AP). Ao valorizar as perspectivas e experiências dos habitantes, busca-se um 'fazer geográfico' potente, que expresse a relação visceral e ontológica entre o homem e a Terra. O estudo fundamenta-se na Geografia Humanista de abordagem fenomenológica, ancorando-se em Eduardo Marandola e Juliana Dias para a discussão sobre o 'lugar', e em David Lowenthal e Paul Ricoeur para a compreensão da 'memória'. Assim, busca-se evidenciar uma Amazônia tecida por espacialidades e temporalidades diversas.