Juventudes. Ditadura Empresarial-Militar. Território Federal do Amapá. Amazônia. História Social. Movimentos Juvenis.
vA Ditadura empresarial-militar instaurada no Brasil em 1964 promoveu profundas transformações políticas, econômicas e sociais, cujos impactos também alcançaram a Amazônia. No Território Federal do Amapá, área considerada estratégica para os projetos de integração nacional e exploração econômica, o regime articulou políticas de desenvolvimento, mecanismos de vigilância e práticas de controle social que incidiram sobre diferentes segmentos da população. Entre esses sujeitos estavam as juventudes amapaenses, constantemente interpeladas por discursos produzidos pelo Estado, pela Igreja Católica, pela imprensa e por instituições educacionais, que buscavam orientar sua formação moral e política. Nesse contexto, o objetivo desta pesquisa é analisar experiências das juventudes no Território Federal do Amapá entre os anos de 1964 a 1972, compreendendo formas de organização, sociabilidade e participação construídas por esses sujeitos durante os primeiros anos da ditadura empresarialmilitar. Argumenta-se que não existia uma juventude homogênea, mas diferentes juventudes, atravessadas por distintos pertencimentos sociais, religiosos, políticos e culturais, cujas experiências extrapolam interpretações restritas à dicotomia entre apoio e resistência ao regime. Adotamos como categoria de análise a noção de ditadura empresarial-militar, entendendo que a sustentação do regime resultou da atuação articulada entre militares, setores empresariais, parte da Igreja Católica e da imprensa, especialmente no contexto das políticas desenvolvimentistas voltadas para a Amazônia. As principais fontes utilizadas foram os jornais A Voz Católica e Amapá, o relatório da Comissão Estadual da Verdade do Amapá (CEV-AP), registros encontrados no Arquivo Nacional, entrevistas e bibliografia especializada. A análise dessas fontes permitiu compreender que escolas, associações estudantis, organizações religiosas, grupos culturais e outros espaços de sociabilidade constituíram importantes ambientes de formação política e social das juventudes amapaenses. Evidenciou-se, ainda, que esses sujeitos produziram experiências diversas diante do regime, ora aproximando-se dos projetos de formação defendidos pelo Estado, ora construindo espaços de negociação, dissidência e contestação. Conclui-se que a investigação das juventudes amapaenses amplia as interpretações sobre a ditadura empresarial-militar na Amazônia ao deslocar o olhar dos grandes projetos desenvolvimentistas para as experiências cotidianas dos sujeitos, contribuindo para o preenchimento de uma lacuna na historiografia sobre o período