ENTRE RIOS E MEMÓRIAS DA AMAZÔNIA BAILIQUENSE: CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DA IDENTIDADE E COSMOVISÃO DOS POVOS RIBEIRINHOS DA FOZ DO RIO AMAZONAS
Amazônia; Bailique; Cosmovisão; Identidade; Oralidade.
Esta dissertação investiga a construção histórica da identidade e cosmovisão dos povos ribeirinhos do distrito de Bailique, localizado na foz do rio Amazonas, no estado do Amapá. A pesquisa parte da seguinte pergunta-problema: como a história do Bailique pode ser narrada a partir das memórias e histórias de vida dos moradores, revelando os processos históricos, a construção de uma identidade e cosmovisão ribeirinha que orienta suas relações com a paisagem e a comunidade? Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se em uma abordagem interdisciplinar que articula etno-história, história oral e etnografia. A etno-história permitiu articular pressupostos da História e da Antropologia para uma apreensão densa e contextualizada das comunidades ribeirinhas a partir de suas próprias concepções culturais. A história oral assumiu papel central, uma vez que a oralidade no Bailique não é apenas um modo de transmissão do passado, mas um sistema de conhecimento e orientação social. A etnografia, por sua vez, exigiu presença prolongada em campo considerando que o Bailique, não é somente um campo de pesquisa, mas um espaço de referência familiar, contribuído para a observação participante e escuta situada, permitindo captar as dinâmicas sociais em sua relação direta com o lugar. A identidade ribeirinha bailiquense revela-se como dinâmica e plural, construída na relação com o espaço, nas práticas de trabalho, nas festas, na fé e na oralidade. A cosmovisão ribeirinha articula dimensões materiais e simbólicas, visíveis e invisíveis, humanas e não-humanas, configurando um modo de existir que não separa natureza, cultura e espiritualidade. As festas, a religiosidade popular, a pajelança e a crença nos encantados são expressões dessa cosmovisão