DO SILENCIAMENTO À AGÊNCIA: CORPO E AMBIENTAÇÃO EM “SAFIRA” (2020) E “TERRA DE NINGUÉM” (2020), DE BRUNO SÉRVULO
Feminismo decolonial; Bruno Sérvulo; Literatura amapaense
Esta dissertação examina o corpo e o espaço na medida em que se constituem como mecanismos de subversão do silenciamento e de recuperação da agência nas narrativas “Safira” (2020) e “Terra de Ninguém” (2020), de Bruno Sérvulo, inserindo-se nos debates sobre literatura contemporânea brasileira, feminismo e decolonialidade. A pesquisa se apoia nos pressupostos teóricos de Osman Lins (1976) acerca da ambientação como elemento constitutivo de sentidos narrativos, bem como em aportes de Simone de Beauvoir (1967; 1970), Silvia Federici (2012; 2019), Michelle Perrot (2005; 2017) e Judith Butler (2003; 2019), que refletem sobre o corpo feminino, o silenciamento histórico e as possibilidades de resistência. A análise evidencia que os contos de Sérvulo apresentam ambientes opressivos – doméstico, laboral e social – que, ao mesmo tempo em que aprisionam, oferecem fissuras para a transgressão e a afirmação da subjetividade. Do mesmo modo, os corpos das protagonistas, atravessados por marcas de exploração e normatização, transformam-se em loci de insurgência e reapropriação, desestabilizando papéis e discursos hegemônicos. Assim, demonstra-se que a forma breve do conto potencializa a inscrição de narrativas subterrâneas de resistência, permitindo que vozes historicamente silenciadas se inscrevam no texto literário e reivindiquem novos modos de existência. A pesquisa contribui, portanto, para a compreensão da literatura de Bruno Sérvulo como espaço de questionamento das estruturas de poder e de valorização das experiências femininas marginalizadas.