VOZES POÉTICAS FEMININAS: CONCEIÇÃO EVARISTO E AS MULHERES DO MARABAIXO DE MACAPÁ/AP
Poética; Marabaixo; Estudo Comparado; Memória.
A presente dissertação de mestrado surgiu a partir do estudo realizado no Curso de Especialização em Linguística Aplicada e Ensino de Línguas concluído na Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), a monografia intitulada “O tempo em perspectiva comparada nos contos ‘Olhos d’água’ e ‘Maria’ de Conceição Evaristo” (2022). Ao término do mencionado estudo, percebemos que as obras de Conceição Evaristo, em maior parte, são estudadas pelo viés da narrativa. Ao seguir o levantamento literário, crítico e teórico para o mestrado, notamos que são poucos os estudos no que tange à poesia da escritora. Além disso, identificamos ao ler a obra Poemas da recordação e outros movimentos (2021) pontos de semelhança temática com os ladrões do Marabaixo — que representa a cultura viva da negritude amapaense e que permanece de geração em geração, transmitida por meio da oralidade. A partir dessa constatação buscamos através dessa pesquisa analisar os poemas da escritora em comparação com os ladrões do Marabaixo. Sendo assim, buscou-se localizar os elementos ligados a memória pessoal/coletiva e memória ancestral, como forma de compreender a cultura, a crença a partir da contextualização histórica e social nos ladrões escolhidos. A análise busca evidenciar as vozes femininas presentes nas composições, destacando temas como ancestralidade, identidade, racismo, violência e afeto, estabelecendo aproximações e singularidades entre as produções afro-brasileiras e afro-amapaenses, evidenciando pontos de convergência e especificidades culturais, com ênfase nos temas da resistência e da construção identitária das mulheres negras. Dentre os autores escolhidos para a discussão teórica de base, destacamos sobre a literatura de autoria negra os apontamentos de Duarte (2009), Braga (1995) e Alves (2021), sobre o Marabaixo de Sampaio (2022). Além disso, a dissertação também se fundamenta na Teoria da Recepção de Hans Robert Jauss (1994), a fim de compreender como a escrevivência de Conceição Evaristo pode ser percebida no Marabaixo do Amapá/AP. Utiliza-se ainda a obra A correspondência das artes (1983), de Étienne Souriau, para analisar os ladrões do Marabaixo enquanto expressões artísticas produzidas por mulheres negras.