LETRAMENTO CRÍTICO-DECOLONIAL: valorização linguístico-identitária e cultural de alunos da Escola Municipal Piauí
letramento crítico-decolonial; educação linguística; minidocumentários; identidades ribeirinhas; Linguística Aplicada Crítica.
Esta dissertação investiga de que modo a produção de minidocumentários, no contexto da Escola Municipal Piauí, localizada na comunidade ribeirinha do Igarapé da Fortaleza, em Santana–AP, pode favorecer o reconhecimento e a valorização das manifestações linguístico-identitárias e culturais de alunos(as) do 9º ano do Ensino Fundamental, promovendo práticas de letramento crítico-decolonial. Ancorada nos pressupostos da Linguística Aplicada Crítica e Indisciplinar, a pesquisa articula os aportes teóricos da decolonialidade, da educação linguística crítica e do letramento crítico, propondo a noção de letramento crítico-decolonial como eixo teóricometodológico. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativo-interpretativista, desenvolvida por meio de uma pesquisa-ação de viés crítico-decolonial, organizada a partir de um itinerário didático voltado à produção do gênero discursivo minidocumentário, mediado por tecnologias digitais. Os dados foram gerados por meio de questionário diagnóstico, produções textuais iniciais e finais, registros do diário de bordo, entrevistas, observações realizadas durante as oficinas e minidocumentários produzidos pelos(as) estudantes. A análise, orientada pelo ciclo Design, Designing e Redesign, de Janks (2016), e pelos eixos temáticos decoloniais Territorialidade, Saberes das Águas e Modos de Vida; Diversidade Sociolinguística, Marcas de Oralidade e Identidade; Memória Histórica, Narrativas Locais e Visibilidade Ribeirinha; e Direitos, Cidadania e Justiça Socioambiental nas Águas, evidencia, nos resultados parciais, que os(as) alunos(as), inicialmente, apresentavam conhecimentos limitados sobre a história da comunidade, fragilidades na autoidentificação como ribeirinhos(as) e percepção da desvalorização de sua cultura e de seus modos de falar, embora já demonstrassem consciência sobre problemas sociais e socioambientais do território e valorizassem saberes, práticas e recursos locais. Entre os resultados parciais, destacam-se a ampliação da compreensão sobre a importância histórica e patrimonial do Forte Cumaú, acompanhada do posicionamento dos(as) estudantes em defesa de sua preservação; a ressignificação da identidade ribeirinha, expressa no relato de estudante que passou a afirmar com orgulho essa identidade; e a valorização da culinária ribeirinha como expressão cultural, forma de preservação de saberes tradicionais e possibilidade de fortalecimento da economia local. Os resultados indicam, portanto, que o trabalho com práticas de linguagem multimodais e com a produção de minidocumentários pode propiciar o desenvolvimento do letramento crítico-decolonial, ao favorecer o protagonismo discente, a valorização de saberes produzidos no território e a reexistência de narrativas ribeirinhas historicamente invisibilizadas. A etapa de Redesign, ainda em processo de análise, busca aprofundar a compreensão das ressignificações produzidas pelos(as) alunos(as) e de seus posicionamentos críticos diante das relações entre linguagem, identidade, território, memória, poder e justiça social.