ESCRITA DO PORTUGUÊS BRASILEIRO PRODUZIDA POR ESTUDANTES PALIKUR NA ESCOLA INDÍGENA ESTADUAL MOISÉS IAPARRÁ
Escrita. Indígena. Oralidade. Parikwaki. Multilinguismo.
Esta dissertação discute a escrita do português brasileiro (PB) produzida por estudantes Palikur na escola indígena estadual Moisés Iaparrá, localizada na comunidade indígena Kumenê, no município de Oiapoque–AP. Em contextos multilíngues, nos quais o português é adquirido como Língua Adicional (LA), a escrita tende a representar estruturas linguísticas da língua materna. Nesse sentido, o estudo parte do seguinte problema: como as marcas da oralidade influenciam a escrita do português brasileiro mediante a intuição fonológica produzida por estudantes da Escola Indígena Estadual Moisés Iaparrá? O objetivo geral consiste em analisar as influências da oralidade na escrita do PB produzida por estudantes Palikur. Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como descritiva, de abordagem qualitativa, já que se trata de observar, registrar e interpretar fatos linguísticos em contexto educacional, sem intervenção direta nas variáveis observadas. O estudo concentrou-se na observação e interpretação de processos fonológicos e ortográficos recorrentes, considerando o contato entre o português e o Parikwaki em um contexto multilíngue, bem como as condições sociolinguísticas em que ocorre a aprendizagem da escrita. A análise orientou-se pela compreensão de que, nesses contextos, a escrita, se constitui em diálogo com a oralidade e com o repertório linguístico dos estudantes. Os resultados evidenciam a presença sistemática de processos como o apagamento < r > em posição final de sílaba, hipossegmentação, hipersegmentação, além de ditongação, monotongação, alteamento vocálico, nasalização e desnasalização. Os textos analisados indicam que os alunos organizam a escrita com base na transferência da oralidade. Ressalta-se que tais ocorrências devem ser interpretadas como manifestações linguísticas decorrentes do multilinguismo. Os resultados reforçam a necessidade de abordagens pedagógicas que reconheçam a diversidade linguística a partir de práticas de ensino que se aproxime da realidade sociolinguística dos estudantes.