PERSPECTIVISMO INDIGENA SOBRE A MORTE EM NARRATIVAS CONTADAS NA ALDEIA KUMARUMÃ/AP
Narrativa, Oralidade, Memória, Identidade, Galibi Marworno
A presente dissertação de mestrado, tem como principal finalidade, fortalecer a pesquisa sobre a identidade cultural do povo Galibi Marworno da aldeia Kumarumã, Terra Indígena Uaçá, que se localiza no município de Oiapoque, Estado do Amapá. O objeto da pesquisa se desenvolve através das narrativas contadas exclusivamente nos velórios desse povo. Para tanto, inicialmente se faz uma abordagem histórica do povo Galibi Marworno, sua origem, localização e modo de viver. Em seguida, contextualizam-se as narrativas que foram coletadas na aldeia no segundo semestre de 2022. Nesse sentido, buscou-se identificar o período em que as narrativas se tornaram mais efetivas na aldeia, ou seja, no momento em que elas foram evidenciadas a partir da memória na cultura do povo Galibi Marworno. Notamos, dessa forma, que é durante o velório que o tema da morte se torna elemento fundamental presente nas narrativas que são contadas de forma intensa e somente nesse contexto. Para propor um recorte na coleta identificamos narradores, indígenas da etnia e que moram na aldeia. Após a coleta, fez-se a transcrição das narrativas para identificar aquelas que permaneceram na cultura após o que nomeamos “período de decadência”. Quer dizer, a ruptura cultural na relação com a morte, por meio do declínio deste costume uma vez que certas narrativas contadas com exclusividade nos momentos de velório, já não são mais vistas como importantes pelos indígenas que integram este ato, assim como para grande parte da população da aldeia. Objetivamos, ainda identificar, quais os acontecimentos que contribuíram para tal fato, na perspectiva de salvaguardar o direito às gerações futuras, em especial, a do povo Galibi Marworno, de conhecer e vivenciar esses momentos sagrados. Para tanto, estudamos na Teoria Literária textos sobre a memória de Michael Pollak (1992) e Paul Ricoeur (1994), no que se refere a narrativa Genette (1979), Oralidade e Literatura de Fernandes (2013) e Walter Ong (1998) e sobre o perspectivismo indígena Viveiros de Castro (2002).