O ESPAÇO DA GUIANA FRANCESA NA PÓS-COLONIALIDADE EM “GRAN BALAN” DE CHRISTIANE TAUBIRA
Espaço; Lugar; Literatura Guianense; Taubira; Pós-colonialidade.
Esta dissertação de mestrado tem como objetivo principal analisar a representação de um lugar — a Guiana Francesa — na obra literária Gran Balan (2020), da escritora e ativista política franco-guianense Christiane Taubira. A escolha dessa abordagem justifica-se pela proposta de investigar esse território a partir de sua relação de proximidade geográfica e cultural com o Brasil, especificamente no contexto fronteiriço do estado do Amapá. A pesquisa propõe-se a compreender o lugar em sua complexidade cultural e étnica, examinando as múltiplas identidades que constituem o romance. A leitura da obra permite identificar a representação de aspectos sociais específicos em sua narrativa ficcional. Considera-se, nesse aspecto, que a autora, cuja trajetória é historicamente vinculada às pautas da sociedade franco-guianense, vale-se de elementos sociais para compor sua narrativa, representando, por meio da literatura, as explorações, injustiças e os discursos colonialistas que persistem nesse contexto. Estruturalmente, a dissertação está organizada em quatro partes: o primeiro capítulo, de natureza conceitual, dedica-se à categoria de lugar; o segundo contextualiza a Guiana Francesa e suas identidades; o terceiro aborda os estudos pós-coloniais e decoloniais; e o quarto capítulo destina-se à análise da obra em si. Para a análise, a pesquisa fundamenta-se no conceito de lugar, conforme formulado por Doreen Massey (2004). Essa base é articulada às teorias pós-colonialistas e decoloniais de pensadores como Aníbal Quijano (2005) e Walter Mignolo (2003), cujos trabalhos iluminam as dinâmicas de poder que perduram em países latino-americanos marcados pela herança colonial. No que tange à abordagem estritamente literária, o estudo recorre a Antonio Candido (2006) e Gérard Genette (1971).