A COMPREENSÃO DOS CONSELHEIROS LGBTQIA+ DO AMAPÁ SOBRE O ACESSO ÀS PRÁTICAS FORMATIVAS DE LAZER DE TRAVESTIS E TRANSEXUAIS EM MACAPÁ
Lazer; LGBTQIA+; Trans; Educação.
Durante muito tempo os entendimentos teóricos sobre o lazer foram restritos ao ócio, divertimento e entretenimento sob os julgo do capitalismo. Contudo, hoje o lazer é considerado uma necessidade humana e que nos últimos anos têm se destacado, sendo considerado um fenômeno fundamental para a qualidade de vida dos sujeitos. Ainda que o Brasil seja um território com muita diversidade cultural, marcado pela pluralidade de identidades de gênero e sexuais, continua sendo um país historicamente violento para pessoas que não seguem a ordem “natural” dos gêneros, como a população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Queer, Intersexuais, Assexuais e mais (LGBTQIA+), com ênfase na população transgênero. Neste processo, destaco a existência do Conselho Estadual dos Direitos da População de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais do Amapá (CELGBT-Amapá), órgão colegiado de natureza deliberativa e consultiva que integra a Secretaria de Estado de Inclusão e Mobilização Social (SIMS), do Governo do Estado do Amapá (GEA). O CELGBT – Amapá é atuante não só no respeito à diversidade de gênero e sexuais, mas também na garantia para que esses sujeitos usufruam das políticas públicas estaduais. Diante da realidade hostil que muitos sujeitos trans e travestis vivem no Brasil e no Amapá, o problema desta pesquisa foi concentrado no seguinte questionamento: Qual a compreensão dos conselheiros representantes do segmento “T” (travesti e transexual) do CELGBT-Amapá sobre o acesso ao lazer para homens transexuais, mulheres transexuais e travestis em Macapá? Tendo como objetivo geral do trabalho analisar a compreensão dos conselheiros representantes do segmento “T” (homens trans, mulheres trans e travestis) do CELGBT-Amapá sobre as práticas de lazer que contemplam os sujeitos do segmento em Macapá. Este estudo possui abordagem qualitativa, que combinou pesquisa bibliográfica, pesquisa documental e pesquisa de campo, realizada por meio de um questionário socioeconômico e entrevistas semiestruturadas. Posterior à coleta, os dados foram tratados por meio de análise de conteúdo de Bardin, realizada em três fases: pré-análise, análise propriamente dita e a interpretação de dados. Durante o estudo, as falas dos sujeitos da pesquisa revelaram uma percepção predominantemente crítica quanto à escassez de oportunidades de lazer destinadas à população trans e travesti em Macapá. Esta ausência de lazer culmina na exclusão social, transfobia institucional e outras exclusões, que corroboram para o estranhamento e afastamento desse grupo nos espaços. Portanto, estudos como este colaboram para a ampliação do debate na relação entre lazer, gênero e educação, tornando-se ferramentas fundamentais para a mudança social de fato e criação de políticas públicas de lazer voltadas a essa população.