POLÍTICA DE EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA E FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE TEATRO NA UNIVERSIDADE DEFERAL DO AMAPÁ (BRASIL) E NA UNIVERSIDADE PEDAGÓGICA DE MAPUTO (MOÇAMBIQUE)
Política educacional. Educação antirracista. Formação de professores. Teatro. Brasil. Moçambique.
A presente pesquisa tem como objetivo analisar quais configurações se apresentam na formação de professores na perspectiva antirracista nos cursos de Teatro da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), no Brasil, e de Artes Cênicas da Universidade Pedagógica de Maputo (UPM), em Moçambique-África. O estudo orienta-se pela seguinte questão: quais configurações se apresentam na formação de professores, na perspectiva antirracista, nos cursos de Teatro da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), no Brasil, e da Universidade Pedagógica de Maputo (UPM), em Moçambique? Para responder a essa questão, a análise inicia-se com o diagnóstico das ausências da temática racial nos currículos dessas universidades, evidenciando fragilidades na promoção de uma educação antirracista. O trabalho identifica ainda que essas lacunas impactam a construção e a fundamentação dos Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs), bem como as ações relacionadas às políticas educacionais. Como base teórico-metodológica, adota-se o Materialismo Histórico-Dialético (MHD), que possibilita compreender os fenômenos sociais em sua totalidade e historicidade. As relações étnico-raciais são analisadas não de forma isolada, mas inseridas em dinâmicas sociais marcadas por disputas de poder, interesses hegemônicos e desigualdades históricas e estruturais que atravessam os processos educativos e culturais. A pesquisa possui abordagem qualitativa, com coleta de dados realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com docentes e estudantes dos cursos investigados. A análise crítica contempla as políticas de educação antirracista e as diretrizes para a formação de professores de teatro no ensino superior. Para o tratamento dos dados, emprega-se a análise de conteúdo de Bardin (2011), que, por meio de procedimentos sistemáticos e objetivos, permite descrever e interpretar mensagens, possibilitando a inferência de indicadores sobre as condições de produção e recepção dos discursos analisados. Os resultados revelam que, de modo geral, os cursos de artes cênicas da UNIFAP e da UPM enfrentam desafios estruturais semelhantes, relacionados à infraestrutura e ao número reduzido de docentes. Contudo, diferenciam-se quanto ao grau de institucionalização da educação étnico-racial. Enquanto na UNIFAP observa-se um processo gradual de incorporação dessas discussões no currículo, na UPM a temática ainda aparece de forma pontual e pouco sistematizada. Em ambos os contextos, entretanto, as entrevistas evidenciam que os docentes desempenham papel fundamental na promoção de reflexões críticas e na construção de práticas pedagógicas que valorizem saberes africanos e afro-diaspóricos. Este estudo contribui para os campos da educação, das artes cênicas e dos estudos étnico-raciais ao realizar uma análise comparativa entre os cursos de Teatro da UNIFAP e de Artes Cênicas da UPM, evidenciando como a temática étnico-racial é incorporada — ou silenciada — na formação acadêmica em contextos pós-coloniais.