POLÍTICAS AFIRMATIVAS: UM ESTUDO DA PROMOÇÃO DE IGUALDADE NO ENSINO MÉDIO DO IFAP - CAMPUS MACAPÁ (2022 - 2024).
Políticas Afirmativas. Educação Profissional. Acesso e Permanência. IFAP. Igualdade Educacional.
Este trabalho tem como objetivo geral analisar as políticas de ações afirmativas implementadas no Instituto Federal do Amapá (IFAP) – Campus Macapá, na promoção da igualdade de condições educacionais entre os estudantes dos cursos técnicos de Ensino Médio Integrado, no período de 2022 a 2024. Especificamente, busca-se identificar e discutir as ações afirmativas desenvolvidas pela instituição, examinar o perfil dos estudantes beneficiados pelo sistema de cotas e avaliar como essas políticas influenciam os processos de acesso, permanência e conclusão dos cursos. Trata-se de uma pesquisa documental, com abordagem quali-quantitativa, fundamentada na análise de legislações, resoluções institucionais, relatórios e registros pedagógicos disponíveis no Sistema Unificado de Administração Pública (SUAP). Entre os documentos analisados estão o Decreto no 7.234/2010 e a Lei no 14.965/2024, que regulamentam o Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES); a Lei no 12.711/2012 e sua revisão pela Lei no 14.723/2023, que dispõem sobre o sistema de cotas; além do Edital no 06/2022 do Programa de Assistência Estudantil do IFAP. Embora os dados revelem avanços na formalização das políticas afirmativas no IFAP, a análise crítica aponta para uma lacuna significativa entre a institucionalização normativa e a efetividade prática dessas ações. Os desafios identificados na permanência estudantil sugerem que a mera implementação de políticas de cotas, sem o correspondente investimento em infraestrutura de suporte, reproduz uma lógica de inclusão precária que mascara, em vez de resolver, as desigualdades estruturais. Conclui-se, portanto, que a institucionalização das políticas afirmativas no IFAP permanece incompleta e contraditória, enquanto avança na dimensão do acesso, fracassa na consolidação de condições materiais e pedagógicas que garantam a permanência com qualidade. A superação dessa contradição exige não apenas a continuidade das cotas, mas a reconfiguração estrutural dos programas de assistência estudantil e do acompanhamento pedagógico, transformando-os de políticas compensatórias em políticas estruturantes de uma educação com justiça social.