EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA AMAZÔNIA AMAPAENSE: possibilidade de emancipação pelo saber com foco nas questões socioambientais de áreas de ressaca em Macapá/AP
Questões socioambientais. Áreas de Ressacas. Educação Ambiental. Emancipação pelo saber. Amazônia amapaense.
Esta Dissertação aborda a Educação Ambiental na perspectiva da Educação Popular, com foco nas questões socioambientais em duas áreas úmidas (ressacas) do município de Macapá/AP: a Ressaca do Congós, localizada na zona sul da cidade e próxima ao centro urbano, e a Ressaca do Pacoval, situada na zona norte, em área periférica. O tema centraliza-se na integração entre saberes locais, educação ambiental e emancipação socioambiental, contribuindo para o debate sobre o trato adequado com o lixo, resíduos e esgotamento sanitário em áreas ambientalmente frágeis e importantes para o microclima. Nesse sentido, o problema é constituído pelo seguinte questionamento: Como possibilidade de emancipação, quais os saberes sobre questões ambientais e Educação Ambiental, mobilizados moradores de áreas de ressacas de Macapá/AP? Nessa linha, o objetivo geral é analisar os saberes mobilizados por moradores de áreas de ressacas de Macapá/AP, sobre questões ambientais e Educação Ambiental, como possibilidade de emancipação. Os objetivos específicos incluem: 1) contextualizar as áreas de ressaca que serão lócus da pesquisa, identificando aspectos ambientais, sociais e econômicos que influenciam o contexto das áreas de ressaca do bairro Congós e Pacoval em Macapá/AP; 2) compreender as epistemologias que envolvem a educação ambiental e o pensamento freireano para emancipação pelo saber; e 3) identificar os saberes sobre as questões socioambientais e a educação ambiental mobilizados por moradores das áreas de ressaca do bairro Congós e Pacoval em Macapá/AP, bem como, a articulação entre eles. A pesquisa teve como direcionador os métodos histórico e dialético (Gamboa, 2007; Minayo, 2010; Lakatos e Marconi, 2017), a de abordagem qualitativa (Minayo, 2002; Gamboa, 2007; Creswell, 2014), do tipo Estudo de Caso (Yin 2015; Gil 2016.) A coleta de dados foi realizada com base na observação direta informal (Yin, 2015) e em entrevistas semiestruturadas, uma técnica que combina um roteiro de tópicos predefinido com a flexibilidade para explorar questões emergentes durante a interação (Minayo, 2017). A análise dos dados seguiu a análise temática de Braun e Clarke (2006), que permitiu identificar padrões de significados em narrativas complexas, integrando múltiplas fontes de informação (falas, imagens), engendrando as categorias, os temas e subtemas, a partir de eixos centrais previamente definidos. Os resultados mostram que, apesar das desigualdades socioambientais e da ausência de políticas públicas enfrentadas nas áreas de ressacas do Pacoval e Congós, esses territórios produzem saberes e práticas de cuidado com o ambiente co-construídos na experiência cotidiana. A análise das duas áreas revelou que em ambos os contextos os moradores demonstram consciência crítica sobre problemas ambientais com forte ideal de emancipação. Os achados indicam que a Educação Ambiental, articulada à Educação Popular, possui potencial para fortalecer processos de conscientização e emancipação socioambiental.