REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE CRIANÇAS E ESTEREÓTIPOS CULTURAIS: ANÁLISE NOS CONTOS DE FADAS DO IMAGINÁRIO A REALIDADE NA AMAZÔNIA AMAPAENSE
Representação social, criança Amazônida, práticas pedagógicas, estereótipos culturais, conto de fadas.
A dissertação investiga as representações sociais da criança e as práticas pedagógicas relacionadas ao ensino da literatura infantil, com foco no gênero dos contos de fadas; analisa a simbologia dessas narrativas, as ideologias de matriz europeia e burguesa que veiculam e seus traços marcantes — sociais, religiosos e outros — bem como os estereótipos culturais. Está em consonância com a linha de pesquisa Educação, culturas e diversidades e buscou responder à questão: Quais as representações sociais de crianças sobre os contos de fadas presentes nas práticas pedagógicas escolares, em relação aos estereótipos culturais, na Amazônia amapaense? Para responder à questão que norteia o trabalho, buscou-se como objetivo geral, analisar a representação social de crianças sobre os contos de fadas, nas práticas pedagógicas escolares, na Amazônia Amapaense. Para isso, nos objetivos específicos procuramos discutir a epistemologia dos contos de fadas na representação social como influencia na cultura infantil; averiguar a representação social presente nos contos de fadas, nas práticas pedagógicas escolares, com crianças em relação aos estereótipos culturais na Amazônia amapaense e identificar evidências materiais que expresse o pensamento da criança da Amazônia amapaense sobre estereótipo cultural existente nos contos de fadas. A metodologia adotou uma abordagem qualitativa, apoiando-se no método hermenêutico para possibilitar a interpretação dos fenômenos sociais estudados; como estratégia de investigação utilizou-se o estudo de caso, que possibilitou o contato direto com o objeto de pesquisa — crianças do 5o ano do Ensino Fundamental (Anos iniciais) da Escola Municipal Josafá Aires da Costa. Para a coleta de dados, o estudo de caso empregou técnicas qualitativas, sobretudo entrevista semiestruturada e roda de conversas, oportunizando registro detalhado das interações e percepções dos participantes. A interpretação dos dados seguiu a análise de conteúdo de Bardin (2011) e os conceitos de ancoragem e objetivação de Moscovici (2007). O referencial teórico apoiou-se em autores clássicos e contemporâneos, entre eles Moscovici (2012;2007;2000;1984;1981;1978), Freire (2003;2001;2000;1982;1976), Piaget (1969;1964), Cohn (2005), Coelho (2012) e Maria Tatar (2004), cujas contribuições sustentaram as categorias analíticas e os conceitos mobilizados na pesquisa. Os resultados indicaram que as representações sociais das crianças amazônidas sobre os contos de fadas, nas práticas pedagógicas escolares, refletem uma dinâmica entre tradição e inovação, reprodução e criação, domínio cultural e resistência simbólica. Os estereótipos persistem, mas coexistem com novas leituras que integram o imaginário local e revelam a capacidade das crianças de reinterpretar o mundo a partir de suas próprias referências culturais. Dessa forma, os dados analisados permitem afirmar que as representações sociais das crianças amapaenses sobre os contos de fadas se configuram em uma dupla dimensão: a da reprodução simbólica de estereótipos eurocêntricos e a da ressignificação cultural a partir do contexto amazônico. Assim, reafirma-se a importância de uma pedagogia crítica que valorize a diversidade, estimule o pensamento reflexivo e reconheça as crianças como protagonistas de sua própria cultura. Essa compreensão reforça que o estudo da infância, especialmente em
contextos pluriculturais como o amazônico, deve manter-se aberto à escuta, à diversidade e à constante reconstrução dos sentidos atribuídos pelas próprias crianças ao mundo que as cerca.