O DIREITO À EDUCAÇÃO NEGADO: um estudo na Promotoria de Justiça de Defesa da Educação da Comarca de Macapá (2015-2024)
Direito à Educação. Ministério Público. Promotoria de Defesa da Educação. Política Educacional.
A presente pesquisa tem como objetivo caracterizar os procedimentos extrajudiciais, formalizados entre 2015 e 2024, na Promotoria de Justiça de Defesa da Educação da Comarca de Macapá (PJDE), que expressam situações de negação do direito à educação. O objeto de estudo são os procedimentos instaurados na PJDE, considerados manifestações concretas das contradições entre os marcos legais que asseguram o direito à educação e as violações recorrentes no contexto da política educacional local. Adota-se abordagem quanti-qualitativa, com ênfase na análise documental, articulando categorização empírica e análise interpretativa. O corpus é constituído por registros eletrônicos de procedimentos do Ministério Público do Estado do Amapá (MPAP), organizados segundo critérios metodológicos previamente definidos e analisados com base em categorias temáticas construídas a partir das recorrências nos dados. Os resultados indicam o predomínio de demandas individuais, oriundas de territórios socialmente vulnerabilizados, que evidenciam o deslocamento da responsabilidade pela efetivação do direito à educação para os próprios sujeitos. A baixa incidência de demandas coletivas aponta a fragilidade nas formas organizadas de reivindicação, favorecendo uma responsabilização individualizada, o que contribui para a invisibilização de sujeitos historicamente afetados por essa negação. As categorias analisadas - como acesso, permanência, qualidade, gestão e violência - permitiram identificar os focos recorrentes das violações e as dimensões estruturais das desigualdades enfrentadas. A atuação da PJDE, embora juridicamente respaldada, mostrou-se centrada na recepção fragmentada das demandas, sem articulação com processos estruturantes das políticas públicas. A pesquisa contribui para o campo da política educacional ao sistematizar elementos recorrentes das violações do direito à educação e ao explicitar os limites da atuação institucional diante da persistência dessas violações, propondo, por fim, o fortalecimento das instâncias públicas de responsabilização e a ampliação de estudos que incorporem a escuta dos sujeitos diretamente envolvidos nas demandas.