MEMÓRIA DA ESCRAVIDÃO E PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO EM MACAPÁ: Marcas, Rastros e Silenciamentos na Praça do Barão
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A escravidão foi um dos sistemas estruturantes da sociedade brasileira e deixou marcas abertas na organização social, cultural e espacial do país. No Amapá, embora a historiografia tradicional tenha enfatizado elementos como a construção da Fortaleza de São José e a presença dos colonos mazaganistas, a experiência da população escravizada africana, afrodescendente e indígena permaneceu em grande medida silenciada.
A Praça do Barão do Rio Branco, situada na região central de Macapá, constitui um desses espaços em que as marcas do passado escravista foram apagadas ou ressignificadas ao longo do tempo. No período colonial, ali funcionavam estruturas fundamentais do regime escravista, como o pelourinho e a senzala, elementos determinantes para o controle social, disciplinamento, punição e exploração da população escravizada. Entretanto, no decorrer do século XX, tais estruturas foram demolidas ou completamente apagadas, cedendo lugar a edifícios públicos, monumentos e narrativas oficiais que enfatizam figuras ligadas ao poder político e militar.
Compreender a Praça do Barão como um lugar de memória e, simultaneamente, como um lugar de silêncio implica analisar não apenas o que foi preservado, mas sobretudo o que foi suprimido e as razões políticas, sociais e raciais que sustentaram esse processo. Assim, este trabalho, inserido no campo do Ensino de História, propõe recuperar, interpretar e problematizar essas marcas e apagamentos, articulando-os a uma proposta pedagógica voltada à educação básica.