VALIDAÇÃO TÓXICA-FARMACOLÓGICA PRÉ-CLÍNICA DO NUTRACÊUTICO ORMONA® SOBRE A SÍNDROME CLIMATÉRICA
Menopausa. Isoflavonas. Fitoestrógenos. Osteoporose. Estresse oxidativo.
A síndrome climatérica, caracterizada por uma complexa sintomatologia decorrente do declínio estrogênico, representa um desafio significativo para a saúde e qualidade de vida da mulher, impulsionando a busca por alternativas terapêuticas seguras e eficazes, com destaque para os nutracêuticos. O presente estudo teve como objetivo realizar a validação tóxico-farmacológica pré-clínica do Ormona®, uma formulação à base de extratos vegetais, investigando seus múltiplos mecanismos de ação em modelos in silico, in vitro e in vivo associados ao climatério. A metodologia integrou uma abordagem translacional, iniciando com a caracterização farmacotécnica, que incluiu análise morfológica por microscopia eletrônica de varredura (MEV) e avaliação das propriedades de fluxo (Índice de Carr de 20,3%; Fator de Hausner de 1,25), classificando o pó como de fluidez razoável e adequado para o processo de encapsulamento. Os ensaios de uniformidade de massa e desintegração atenderam aos critérios farmacopeicos, e o perfil de dissolução demonstrou liberação pH-dependente, com liberação de compostos fenólicos 105% maior em meio intestinal simulado (pH 6,8) do que em meio gástrico (pH 1,2), um comportamento favorável à absorção. A caracterização fitoquímica por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) e cromatografia gasosa (CG-MS) quantificou marcadores bioativos chave, incluindo isoflavonas (daidzeína, genisteína, gliciteína), δ-tocotrienol e geranilgeraniol. A prospecção de alvos moleculares por docagem molecular (in silico) revelou alta afinidade de ligação das isoflavonas com receptores estrogênicos (ERα e ERβ) e outros alvos relevantes, como RANKL e catepsina K. A segurança e a atividade biológica foram investigadas in vitro, onde o Ormona® apresentou baixa citotoxicidade em linhagem de fibroblastos pulmonares humanos (MRC-5) e demonstrou significativa atividade antioxidante pela inibição da produção de óxido nítrico em macrófagos (J774A.1) estimulados por lipopolissacarídeo. A eficácia osteoprotetora foi validada no modelo in vivo de osteoporose induzida por ovariectomia em ratas Wistar. Após 60 dias de tratamento, o grupo Ormona® (20 mg/kg) promoveu um aumento significativo nos níveis séricos de estradiol, elevou a concentração de cálcio no fêmur e atenuou a degeneração da microarquitetura óssea trabecular, com resultados comparáveis aos do grupo controle positivo (estradiol 2 μg/kg). Em conjunto, os resultados fornecem evidências científicas robustas sobre a segurança e o potencial terapêutico do Ormona®, validando seus múltiplos mecanismos de ação (estrogênico, antioxidante e osteoprotetor) e consolidando sua promessa como uma alternativa nutracêutica para o manejo dos sintomas da menopausa, especialmente na prevenção da perda óssea.