PLANTAS MEDICINAIS E MANIFESTAÇÕES RELACIONADAS À DEMÊNCIA EM COMUNIDADES QUILOMBOLAS DO AMAPÁ: UMA ABORDAGEM EPIDEMIOLÓGICA, ETNOFARMACOLÓGICA E COMPUTACIONAL
Doença de Alzheimer; plantas medicinais; biodiversidade amazônica; conhecimento tradicional; comunidades quilombolas; etnofarmacologia; produtos naturais.
Introdução: A doença de Alzheimer (DA) constitui importante desafio para o envelhecimento saudável, enquanto a biodiversidade amazônica e os conhecimentos tradicionais de comunidades quilombolas permanecem insuficientemente explorados como fontes de hipóteses para a descoberta de produtos naturais. Objetivo: Integrar evidências científicas, epidemiológicas e etnofarmacológicas para investigar espécies vegetais associadas ao contexto amazônico e às manifestações relacionadas às demências, orientando sua posterior avaliação fitoquímica, farmacológica e computacional. Metodologia: Tese de abordagem multimétodos, composta atualmente por quatro estudos: (1) “Biodiversidade vegetal da Amazônia brasileira e doença de Alzheimer: uma revisão narrativa das evidências farmacológicas experimentais”; (2) “Indicadores potencialmente relacionados à saúde cognitiva, manifestações cognitivas, rastreio e acesso à avaliação entre pessoas idosas quilombolas do Amapá”; (3) “Conhecimento e uso de plantas medicinais associados a manifestações relacionadas à demência em comunidades quilombolas do Amapá”; e (4) “Aeollanthus suaveolens (Mart. ex Spreng.) — Catinga-de-mulata: aspectos etnobotânicos, fitoquímicos e farmacológicos e perspectivas para investigação em doenças neurodegenerativas”. Resultados: A primeira revisão narrativa identificou 30 estudos experimentais, envolvendo 57 espécies e 31 famílias botânicas, com evidências relacionadas principalmente à inibição da acetilcolinesterase, atividade antioxidante, β-amiloide, proteína tau, neuroinflamação, proteostase e neuroproteção. Entre 56 pessoas idosas quilombolas investigadas, destacaram-se baixa escolaridade (76,8%), hipertensão arterial (67,9%) e perda visual (41,1%). Dez participantes apresentaram resultados concordantemente sugestivos de alteração nos dois instrumentos de rastreio, sem caracterizar diagnóstico clínico. Na investigação etnofarmacológica, 20 participantes relataram conhecimento e/ou uso de plantas medicinais; destes, sete associaram plantas às manifestações investigadas,
totalizando 14 citações informante-planta e 12 denominações populares. Capim-marinho, Catinga-de-mulata e Majirona foram priorizadas. A revisão narrativa reuniu 21 publicações sobre A. suaveolens, indicando plausibilidade biológica, porém ausência de estudos diretamente conduzidos em modelos de DA ou ensaios clínicos. Considerações parciais: Os achados articulam evidências científicas, condições relacionadas à saúde cognitiva e conhecimento tradicional, indicando espécies prioritárias para investigação, sem permitir inferências de eficácia terapêutica. Próximos passos: Serão realizadas localização e coleta, identificação taxonômica, elaboração de exsicatas, caracterização fitoquímica, avaliações farmacológica e toxicológica e análises in silico de propriedades físico-químicas, farmacoforia, ADME, toxicidade e docking molecular.