LUTEOLINA, QUERCETINA E CALEBINA-A COMO POTENCIAIS CANDIDATOS A FÁRMACOS PARA TRATAMENTO DA DOENÇA DE ALZHEIMER: dinâmica molecular, ensaios in vitro e in vivo
Compostos naturais; acetilcolinesterase; óxido nítrico sintase induzível; neuroproteção.
A Doença de Alzheimer (DA) é uma desordem neurodegenerativa progressiva associada ao estresse oxidativo, à neuroinflamação e a alterações em enzimas ligadas à neurotransmissão colinérgica e à produção de óxido nítrico. Diante das limitações das terapias atuais, esta tese investigou o potencial terapêutico de três compostos naturais, a quercetina, luteolina e calebina-A por meio de análises in silico, in vitro e in vivo, com foco nas enzimas acetilcolinesterase (AChE) e óxido nítrico sintase induzível (iNOS). Inicialmente, foram realizadas simulações de dinâmica molecular para avaliar a estabilidade conformacional e as interações dos compostos com AChE e iNOS. Os resultados demonstraram que quercetina, luteolina e calebina-A apresentaram interações estáveis com o sítio ativo da AChE, com parâmetros estruturais dentro de faixas aceitáveis ao longo das simulações. Para a iNOS, quercetina e calebina-A apresentaram interações estáveis, enquanto a luteolina demonstrou maior variação conformacional, sugerindo diferenças na estabilidade de ligação. A predição toxicológica in silico indicou que a calebina-A apresenta baixa toxicidade em doses reduzidas, reforçando seu perfil de segurança. Os ensaios in vitro demonstraram significativa atividade antioxidante e capacidade de inibição da AChE para os compostos avaliados. A quercetina apresentou atividade anticolinesterásica e capacidade de sequestro de radicais livres no ensaio DPPH. A luteolina exibiu elevada atividade antioxidante, com porcentagens de sequestro superiores a 50% já na menor concentração testada e superiores a 90% em concentrações mais elevadas, além de apresentar melhor desempenho na inibição da AChE quando comparada à fisostigmina. O estudo in vivo, utilizando modelo de zebrafish, demonstrou que a quercetina foi capaz de reduzir o déficit cognitivo induzido por escopolamina e prevenir a atrofia do tecido nervoso, reforçando seu potencial neuroprotetor. As análises histopatológicas reforçaram os achados comportamentais, evidenciando o papel desse composto na neuroproteção. Os resultados desta tese demonstram que quercetina, luteolina e calebina-A apresentam ação multialvo, incluindo efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e inibitórios da AChE, sustentando seu potencial como candidatos promissores para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para a DA. Estudos adicionais, sobretudo clínicos, são necessários para confirmar sua eficácia e segurança em humanos.