METAIS PESADOS EM CRUSTÁCEOS UTILIZADOS NA ALIMENTAÇÃO DE COMUNIDADES TRADICIONAIS NA FOZ DO RIO AMAZONAS
bioacumulação; crustáceos; elementos-traço; manguezal; risco alimentar; saúde única.
A contaminação de ecossistemas costeiros por metais representa uma preocupação ambiental e sanitária, especialmente quando envolve organismos utilizados na alimentação humana. Sob a perspectiva One Health, este estudo avaliou a bioacumulação de ferro (Fe), manganês (Mn), cobre (Cu), níquel (Ni) e chumbo (Pb) nos tecidos de Ucides cordatus e Goniopsis cruentata coletados na Estação Ecológica de Maracá-Jipióca, localizada na costa do Amapá, bem como o potencial risco à saúde associado ao consumo desses crustáceos. Foram coletados 40 indivíduos em duas campanhas sazonais, realizadas em abril de 2018, durante a estação chuvosa, e em agosto de 2018, durante a estação seca. Amostras de músculo, hepatopâncreas e brânquias foram submetidas à digestão ácida, e as concentrações dos metais foram determinadas por espectrometria de absorção atômica em chama. O risco à saúde humana foi estimado por meio da Ingestão Diária Estimada e do Quociente de Perigo Alvo, considerando o consumo médio per capita de crustáceos no Brasil e o peso corporal médio de homens e mulheres adultos. Entre os elementos avaliados, somente o cobre apresentou diferença sazonal significativa, com maior concentração no músculo de G. cruentata durante a estação seca. Não foram observadas diferenças sazonais significativas para ferro, manganês, níquel e chumbo nos tecidos em que foi possível realizar comparação estatística. Os valores do Quociente de Perigo Alvo para cobre, níquel e manganês permaneceram inferiores a 1, indicando que efeitos não carcinogênicos não são esperados nas condições de exposição avaliadas. O chumbo não teve o quociente calculado devido à inexistência de uma dose oral de referência segura, sendo avaliado pela comparação com os limites regulatórios. Esse elemento constituiu o principal contaminante de preocupação, especialmente em G. cruentata, na qual foram observadas concentrações superiores ao Limite Máximo Tolerado para a parte comestível. Os resultados demonstram que as espécies estudadas são capazes de incorporar metais disponíveis no ecossistema e reforçam a necessidade de monitoramento contínuo da água, dos sedimentos e da biota, com atenção especial ao chumbo e às populações que consomem recursos pesqueiros com maior frequência.